O Sul-Mato-Grossense
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Caso Master

Xeque-mate: Moraes exposto

Não é mais o Senado que ameaça Moraes. São os colegas, o calendário eleitoral e um documento oficial que ele não pode responder por nota.

Imagem do Ministro Alexandre de Moraes
(Reprodução)

O ministro Alexandre de Moraes chega a setembro exposto. Quem o expõe é um relatório da Polícia Federal, cujo sigilo o ministro André Mendonça derrubou nesta terça-feira antes de mandar os autos ao plenário do Supremo.


O documento descreve 187 interações entre o celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, ao menos seis referências a encontros presenciais, mensagens de visualização única escritas no bloco de notas e apagadas em seguida. Registra pedidos de contenção da investigação contra o Banco Master, uma pergunta sobre deixar o país dois dias antes da operação e a frase de novembro de 2025: “tenho gratidão da minha vida a você”. Descreve também contratos do escritório da mulher do ministro com o banco, um deles de R$ 131 milhões, e a leitura desse contrato pelo próprio ministro, segundo a apuração policial. A polícia anota que o nome gravado numa agenda não prova a titularidade do número. A ressalva não desfaz o conjunto.


Em março, quando as primeiras mensagens vieram a público, a resposta institucional saiu por nota da Secretaria de Comunicação do Supremo: os prints estariam vinculados a outros contatos da lista do banqueiro. A nota não disse quem fez a análise nem em que peça dos autos ela estava. Aquela linha de defesa está de pé até hoje e é frágil. Tribunal responde por decisão, não por assessoria de imprensa.


O que se abriu nesta terça é mais grave para o ministro do que qualquer pedido de impeachment protocolado no Senado. Nove senadores subiram à tribuna pedindo afastamento ou renúncia. Davi Alcolumbre já avisou que não dará andamento e aguarda o Supremo. O cerco não se fecha na Casa que julga crime de responsabilidade. Fecha-se no colegiado do qual Moraes faz parte.


Aí está o desenho do check mate. A manifestação de que o presidente do Supremo diz depender para pautar a sessão cabe ao procurador-geral, Paulo Gonet, que é citado no mesmo relatório, em conversas de terceiros. Gonet tem cinco dias e duas saídas ruins: pedir apuração contra um colega de cúpula ou arquivar enquanto seu próprio nome aparece no documento. Mendonça já disse que o caminho ao plenário independe do que a Procuradoria decidir.


Este jornal não afirma que houve crime, e essa afirmação não cabe a jornal nenhum. Afirma outra coisa. A autoridade de um ministro do Supremo se sustenta na presunção de que ele decide sem interesse próprio no processo. Essa presunção, no caso de Moraes, saiu do terreno do ataque político e entrou no terreno do documento oficial, público, produzido pela polícia que ele mesmo comanda em tantos inquéritos. Isso não se responde com nota, nem se dissolve com o tempo.


Há mais: enquanto a Corte não decide, o país entra em campanha com um ministro do Supremo sob suspeita formal. A eleição de outubro será disputada com isso na mesa, e as decisões eleitorais que passarem por ele carregarão a mancha, mereça-a ele ou não. Adiar é escolher o pior cenário para a instituição.


Moraes construiu sua autoridade sobre a ideia de que o Supremo se basta. Essa mesma ideia agora o cerca. Quem vai decidir sobre ele são os colegas, com seu voto fora da conta. Edson Fachin tem a data da sessão nas mãos.