EUA publicam uma nota com orientações de viagem para o MS
Regiões fronteiriças foram classificadas como perigosas e áreas até 160km das fronteiras estão sob alerta

Na última segunda-feira (31), os Estados Unidos da América publicaram um aviso oficial no qual classificam as fronteiras brasileiras como áreas de máximo risco para turistas americanos. A carta categoriza o Brasil, no geral, com risco de nível 2, como uma área que exige cautela devido aos riscos de sequestro e crimes. Porém, o documento enfatiza que as linhas de fronteira são extremamente perigosas, exigindo que os funcionários do governo americano obtenham autorização para viajar dentro de um raio de 160 km das fronteiras.
Dados da Alumia - Inteligência de Turismo de Mato Grosso do Sul apontam que os Estados Unidos são o principal mercado emissor de turistas estrangeiros que desembarcam nos aeroportos de Bonito e Campo Grande. O alerta americano, no entanto, não incide sobre os roteiros que mais atraem esses visitantes. A recomendação de "não viaje" se restringe a uma faixa de 160 km da fronteira, abrangendo municípios como Corumbá e Ponta Porã – que, por sua vez, sequer se figuram entre os destinos registrados na contagem de passageiros dos aeroportos. Esse cenário sugere que o turismo internacional de lazer em Mato Grosso do Sul está, majoritariamente, fora da área de risco máximo. Já a movimentação na fronteira entre Brasil e Bolivia em Corumbá, de acordo com dados registrados no Sistema de Tráfego Internacional da Polícia Federal, é fortemente composta de sul-americanos. Em sua maioria composta de bolivianos, brasileiros e paraguaios. Os americanos aparecem, portanto, como uma parcela muito pequena do movimento.
Corumbá é uma cidade de fronteira e, como ocorre em outras regiões fronteiriças, enfrenta desafios e riscos. De acordo com Zelinho Carvalho, diretor-presidente da Fundação de Turismo do Pantanal, essas questões são reconhecidas pelas forças de segurança e têm sido objeto de operações permanentes e de integração entre os órgãos brasileiros e bolivianos. Isso, entretanto, não significa que Corumbá seja uma cidade onde o turista esteja permanentemente exposto à violência. Este alerta deve ser interpretado como uma recomendação de cautela relacionada à condição de área de fronteira, e não como uma classificação de que todos os atrativos ou toda a cidade de Corumbá apresentem elevado risco para visitantes.
O internacionalista Pedro Blaya de Mello explica que o sistema de classificação de segurança emitido pelos Estados Unidos é uma ferramenta popularmente utilizada pelos países para orientar os seus cidadãos na busca por destinos turísticos. É importante evidenciar que esse documento não é uma proibição legal, e sim uma orientação de turismo. O Brasil como um todo não é classificado como nível 4 (o pior número na classificação), apenas as áreas de fronteira, as cidades-satélite do Distrito Federal e os complexos habitacionais do Rio de Janeiro.
Blaya de Mello afirma que a classificação brasileira não está de todo errada. Num cenário global mais amplo, o Brasil possui zonas mais perigosas, que, para muitos países, é um sinal de alerta. Porém, com os recentes desgastes entre Washington e Brasília, o documento pode ser visto como uma manobra política. “Por exemplo, na América do Sul, só tem dois países que são classificados como nível 1, que é o nível perfeitamente seguro, que são o Paraguai e a Argentina. Isso pode indicar que fatores políticos, como a proximidade diplomática com os EUA, tiveram maior peso nessa iteração do mapa ", explica.
O internacionalista alerta ainda para possíveis incoerências nessa classificação “eles classificam a Espanha, a Itália, a França como se eles tivessem o mesmo nível de risco que o Brasil, que o México, que a Bolívia, que são nível 2”. Nesse sentido, a fronteira entre o Brasil e o Paraguai apresenta uma classificação contraditória, enquanto o lado brasileiro é classificado com o nível de maior risco, a fronteira paraguaia recebe nota 2.
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